AIDS
Coquetel contra HIV produz efeito colateral inesperado

Ao fortalecer o sistema imunológico, o tratamento anti-retroviral pode revelar a infecção latente de hanseníase

A disseminação do coquetel de drogas contra o HIV entre populações pobres dos países em desenvolvimento está revelando um efeito colateral inesperado e preocupante. Indivíduos submetidos ao tratamento com os medicamentos anti-retrovirais que são portadores de uma infecção dormente de hanseníase podem apresentar episódios de inflamação aguda da doença. Países como Brasil,  Índia e nações africanas, onde é maior a incidência de hanseníase e AIDS, são os principais focos de preocupação quanto a esse efeito colateral inesperado.

 

Acredita-se que o problema esteja associado com a recuperação do sistema imunológico obtida com a terapia anti-retroviral altamente ativa ou HAART - a sigla vem do inglês High Active Antiretroviral Therapy. O fenômeno é conhecido como síndrome inflamatória da imunorreconstituição. Os novos glóbulos brancos (linfócitos T CD4) formados com a reconstituição imunológica do indivíduo tratado com o coquetel antiretroviral reagem à bactéria da hanseníase (Mycobacterium leprae) desencadeando um processo inflamatório exarcebado, que se expressa em lesões na pele. Segundo estudo do pesquisador brasileiro Gisner Pereira e equipe, da Universidade Federal de Goiás, é de seis meses aproxidamente o tempo médio de manifestação dos episódios agudos de hanseníase após o início da terapia com o coquetel (HAART).

 

O tratamento da hanseníase em pacientes co-infectados (AIDS e Hanseníase) é o mesmo preconizado para os pacientes HIV negativos, segundo o estudioso do assunto Pierre Couppié, chefe de dermatologia do Hospital Central em Caiena. Ele estima que um indivíduo em cada grupos de 500 pacientes de AIDS pode apresentar lesões de hanseníase após iniciar a terapia anti-retroviral altamente ativa.

 

Introduzida em 1993, a terapia anti-retroviral altamente ativa diminuiu drasticamente a mortalidade dos portadores do HIV, mas ainda é alvo de estudos e aprimoramentos, devido à gravidade da pandemia. Desde 25 anos atrás até hoje, quando foi constatado o primeiro caso da síndrome da imunodeficiência adquirida, o HIV já matou mais de 25 milhões de pessoas em todo mundo. Atualmente, o número de pessoas  infectadas pelo HIV, no mundo todo, é de 38,6 milhões.

 

Fontes:

 

Pereira G.A.S., Stefani M.A.M., Filho J.A.A.F., Souza C.C.S., Stefani G.P., Martelli C.M.T..Human immunodeficiency virus type 1 (hiv-1) and Mycobacterium leprae co-infection: hiv-1 subtypes and clinical, immunologic, histopathologic profiles in a brazilian cohort. Am. J. Trop. Med. Hyg., 71(5), 2004, pp. 679-684.

 

Pierre Couppie´, MD; Sylvie Abel, MD; He´le`ne Voinchet, MD; Morgane Roussel, MD; Raymond He´le´non, MD; Michel Huerre, MD; Dominique Sainte-Marie, MD; Andre´ Cabie´, MD. Immune Reconstitution Inflammatory Syndrome Associated With HIV and Leprosy. Arch Dermatol/vol 140, aug 2004

 
Shelburne A.S., Montes M., Hamill R.J.. Immune reconstitution inflammatory syndrome: more answers, more questions. Journal of Antimicrobial Chemotherapy 2006 57, 167-170.

 


 



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- Publicada em:
29/11/2006

- Impresso em:
01/10/2014 05:09:45

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