Reumatologia
Detecção precoce

Os novos critérios de classificação da artrite reumatoide,definidos em setembro pelo Colégio Americano de Reumatologia e pela Liga Europeia contra o Reumatismo, permitem identificar os pacientes sob risco de artrite reumatoide antes da apresentação clínica

Detecção precoce

Os novos critérios de classificação da artrite reumatoide,definidos em setembro pelo Colégio Americano de Reumatologia e pela Liga Europeia contra o Reumatismo,permitem identificar os pacientes sob risco de artrite reumatoide antes da apresentação clínica, o que deve contribuir para melhorar o prognóstico da doença

Por Cristiana Bravo



Diante de evidências científicas de que o tratamento precoce da artrite reumatoide (AR) melhora os resultados do combate à doença, o Colégio Americano de Reumatologia (ACR) já havia estabelecido, em 1987, critérios para a avaliação dos pacientes com AR potencial o mais cedo possível, indicando o uso de marcadores de inflamação, testes laboratoriais (sorologia) e métodos de imagem como auxiliares no diagnóstico, para complementar a avaliação clínica. Contudo, esses critérios de classificação se revelaram limitados. Uma proporção significativa de pacientes não se enquadrava neles e passou a ser rotulada como portadora de artrite indiferenciada (AI). A última edição de 2010 da Revista Brasileira de Reumatologia (RBR) abordou o tema em seu editorial. "Embora alguns desses pacientes apresentem um curso de doença com remissão espontânea, outros apresentarão um fenótipo de doença progressiva com erosões, exigindo intervenção precoce", considerava o editorial, para acrescentar: "Reumatologistas precisam ser capazes de identificar rapidamente
os pacientes que apresentarão um curso persistente, progressivo, para garantir o
início precoce da terapêutica". Os novos critérios de classificação da AR, estabelecidos em setembro de 2010 pelo ACR e pela Liga Europeia contra o Reumatismo (EULAR) para a detecção precoce da doença, contemplam um novo sistema de pontuação, com base em medidas usadas na prática clínica. A doença é classificada como AR de acordo com a pontuação obtida  pelo paciente em cada um dos quatro diferentes domínios ou condições que a caracterizam, e desde que um total de 6 ou mais pontos (de um valor máximo de 10) seja atingido (veja o quadro à página 24). Pesquisadores da Universidade do
Colorado aplicaram os novos critérios de classificação de AR do ACR/EULAR 2010 para identificação de pessoas com AR antes mesmo do diagnóstico clínico. Os resultados foram apresentados em
Atlanta na última reunião científica anual do ACR,em novembro de 2010.

Os critérios de classificação são os procedimentos padrão aceitos por pesquisadores para estudar e definir uma doença. Eles permitem classificar os portadores de uma doença ou distúrbio e padronizar o recrutamento em estudos clínicos e outras
pesquisas. Não são aplicáveis, como tal, na prática clínica, mas, com base em pesquisas adicionais, podem ser modificados e adaptados para esse uso.Na prática clínica, os pacientes que se enquadram nos critérios de classificação devem ter confirmada a presença de edema de articulações, indicando sinovite,em ao menos uma articulação. E não deve haver outra possibilidade diagnóstica, como lúpus
ou gota, que explique melhor os sintomas.

A equipe de pesquisadores aplicou o critério a participantes não diagnosticados com alto risco de AR com base em fatores familiares e genéticos. Os estudos incluíam um grupo de 1.790 participantes avaliados para diversos parâmetros - entre eles,
sintomas, exame de articulações e estimativa de biomarcadores -, de modo a determinar a relação entre esses fatores, os novos critérios da AR e o curso da doença em longo prazo. Vinte e um pacientes, previamente não diagnosticados com "AR definitiva", dos quais 17 mulheres com idade média de cerca de 50 anos, tinham AR. Seis (28,6%) dos 21 foram positivos para o fator reumatoide, um
(4,8%) foi positivo para anticorpo antipeptídeo citrulinado cíclico e 11 (52,4%) apresentaram altos níveis de proteína C reativa. Esse grupo apresentou,em média, três articulações edemaciadas e 11 articulações doloridas.

Esses resultados podem indicar uma fase mais precoce do desenvolvimento da AR em relação à observada em pessoas que buscam atendimento médico. Entretanto, o estudo continuará seu seguimento, com o objetivo de checar achados persistentes
e consistentes com a doença. Como é pioneiro, há grande expectativa em torno de seus resultados, afinal, os novos critérios podem se tornar uma excelente ferramenta de pesquisa para identificar indivíduos em alto risco de progresso da AR. A identificação desses indivíduos no ambiente de pesquisa pode permitir aos pesquisadores estudar uma fase mais precoce do que a encontrada na prática clínica, o que terá relevância clínica e terapêutica.

Fontes

Kolfenbach, Derber JR, Deane L, et al. Application of
the new ACR/EULAR classification criteria for
rheumatoid arthritis to at-risk populations may identify
RA prior to clinical presentation. ACR 2010 (abstract
658).
Critério de classificação da artrite reumatoide ACR-EULAR
2010. Rev Bras Reumatol. [periódico na Internet].
2010 Out [citado 2011 Jan 30];50(5):481-3. Disponível
em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S0482-50042010000500001&lng=pt.
Acesso em: 20 Fev. 2011.


- Endereço web:
- Publicada em:
14/04/2011 15:46:43

- Impresso em:
22/09/2014 01:13:00

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