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Depressão - 17/04/2007
 

 

Dois estudos publicados no The Journal of the American Medical Association - JAMA de 18 de abril mostram que o uso de antidepressivos em crianças e adolescentes com depressão, transtorno obsessivo-compulsivo e transtornos de ansiedade é benéfico e não arriscado como declarou o FDA (Food and Drug Administration - o órgão que regula, entre outros, os medicamentos nos Estados Unidos) anos atrás.


 

As pesquisas, feitas separadamente, foram levadas a cabo pelo Centro de Inovação para a Prática Pediátrica, do Columbus Children's Hospital, e pela Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh. O objetivo era, por meio da revisão e da metanálise, descobrir os reais riscos e benefícios do tratamento com drogas antidepressivas em crianças até 19 anos de idade. Depois do aviso do FDA, que indicava em cada caixa de antidepressivo vendida nos Estados Unidos que esse tipo de medicamento causava pensamentos suicidas nas crianças e adolescentes que os consumiam, a comunidade médica, os pais e os próprios pacientes encaravam com certo receio esse tratamento.


 

No Columbus Children's Hospital o resultado foi positivo, os potenciais benefícios do uso de antidepressivos foram maiores que o índice de pessoas que apresentaram pensamentos suicidas. Para cada grupo de 100 jovens de até 19 anos tratados com antidepressivos para depressão, transtorno obsessivo-compulsivo e transtornos de ansiedade, apenas um relatava ter pensamento suicidas além do esperado (a própria doença causa esse tipo de sentimento). No estudo do FDA esse número era de dois em 100.


 

Para Jeff Bridge, principal autor do estudo do Columbus Children's Hospital, esses números indicam que os medicamentos são seguros e devem ser considerados como opções de tratamento em crianças e adolescentes. "Ainda que as nossas descobertas sejam na mesma direção das pesquisas do FDA, nós encontramos bem menos riscos", completa. Ele ressalta ainda que os antidepressivos são mais eficientes para os transtornos de ansiedade e para o transtorno obsessivo-compulsivo do que para a depressão. A psicoterapia continua sendo uma alternativa.


 

A equipe de David Brent, professor da Universidade de Pittsburgh, chegou a conclusões semelhantes. Eles estudaram 3.430 participantes também até 19 anos de idade e descobriram que um em cada 100 participantes teve pensamentos suicidas enquanto tratados com a medicação. Destes, poucos cometeram alguma ação com base nesses pensamentos e não houve nenhum caso de suicídio.


 

Segundo Brent, "enquanto há um pequeno aumento do risco do aparecimento de pensamentos suicidas naqueles pacientes que usam antidepressivos, seria muito mais arriscado não tratar das crianças e adolescentes com esses transtornos".

 

Fonte: JAMA. 2007;297:1683-1696.


 
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