Alerta sobre vacinas
Calendário vacinal deve fazer parte da rotina médica de todas as especialidades
É comum que o pediatra alerte sobre a importância das vacinas e acompanhe o calendário vacinal especialmente durante o primeiro ano de vida da criança. O número de pacientes imunizados, porém, decai consideravelmente conforme aumenta a idade, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Verifica-se uma baixa taxa de adesão entre os adolescentes, que deveriam receber vacinas importantes como as contra hepatite B, coqueluche e tétano. O assunto se torna ainda menos abordado nos consultórios de outras especialidades, quando deveria estar presente em toda rotina médica.
"No caso do adolescente, a cobertura vacinal chega a 50% apenas", afirma Gabriel Wolf Oselka, assessor em Imunizações do Ministério da Saúde, que também atua na rede privada. As consultas ao médico e o contato com a rede de saúde diminuem, o que seriam razões para o abandono do calendário vacinal recomendado pelo Ministério da Saúde, explica o especialista. Ele recomenda aproveitar qualquer contato do adolescente com os serviços de saúde. "É uma linguagem que se usa muito em vacinação: não desperdiçar oportunidades. Qualquer contato do adolescente com o serviço de saúde, a rigor, seria um momento privilegiado, especialmente no que diz respeito à vacina", diz Oselka.
O Sistema Único de Saúde (SUS) dispõe de vacinas durante o ano todo. Mais de três milhões de doses foram aplicadas em crianças de um ano em 2006
. Este número significa que a meta do Ministério da Saúde, de vacinar cerca de 95% da população de crianças brasileiras, tem sido cumprida.
Para aumentar a adesão dos adolescentes à vacinação, as estratégias são as mais diversas, desde realizar grandes campanhas, como a da rubéola, que atingiu 95% de cobertura, até buscar o adolescente na escola. O desafio é permanente. E depende de um esforço de médicos de todas as especialidades, que atendem todas as classes sociais, alerta o médico.
Calendário de vacinação
O PNI recomenda um calendário básico de vacinação, que pode conter pequenas variações conforme a região do país, por conta de demandas específicas. O programa básico para crianças inclui a vacina contra tuberculose, BCG, hepatite B, tetravalente (tríplice - difteria, tétano e coqueluche - e a vacina contra Haemophilus B), a vacina via oral contra paralisia, sarampo, cachumba e rubéola, além da febre amarela, nas regiões em que há risco maior de contrair a doença. Em 2006 foi incluída no Programa a vacina contra o rotavírus, que previne a diarréia grave em crianças pequenas.
Outra novidade, que ainda não está incluída no calendário do PNI, é a vacina contra o HPV, indicada a meninas e mulheres, dos 9 aos 26 anos. A vacina é recente, e por ainda ser cara, não faz parte do PNI, assim como vacinas contra hepatite A, pneumococo conjugada, varicela e meningococo conjugada. Essas vacinas existem na rede privada e podem ser indicadas pelo médico. Oselka afirma que quando há indicação médica, a adesão dos pacientes à aplicação das vacinas é muito maior.
Colaborou: Renata de Albuquerque