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Pulmão - 07/05/2009
 
Modelo inovador para tratar estenose de traqueia em crianças

Método prevê cicatrização adequada em crianças traqueostomizadas

O Hospital Universitário (HU) da USP desenvolveu um modelo inovador para tratar estenose de traqueia em crianças, causada pela cicatrização errada de um trauma na via aérea superior. O HU é o único no Brasil que faz este tipo de tratamento associando método endoscópico com moldes artesanais. Os primeiros resultados mostram que de 20 crianças em tratamento com este novo método, cerca de metade já conseguiu retirar a traqueostomia.

A estenose de traqueia em crianças é responsável por dificultar a passagem de ar e, consequentemente, prejudicar a respiração. "A estenose de traqueia é uma doença relativamente nova, que se tornou prevalente por causa do desenvolvimento das unidades de tratamento intenso em pediatria, associado ao fato de que muitas das crianças que nascem com problemas congênitos da laringe tinham, até bem pouco tempo, uma perspectiva de sobrevida reduzida", explica o médico José Pinhata Otoch, diretor da Divisão de Clínica Cirúrgica do HU. Nesses casos, é necessária a realização da traqueostomia, ou seja, "a abertura da traqueia para o meio externo na face anterior do pescoço, mantida por uma cânula".

Para tratar a estenose de traqueia, o HU inova ao realizar a adaptação da laringoscopia de suspensão com a inserção do uso de ópticas de videocirurgia, o que torna o procedimento mais seguro e de fácil visualização, permitindo a manipulação do interior das vias aéreas superiores (laringe e traqueia), sem a necessidade da cirurgia convencional.

Essa técnica possibilita a utilização de moldes, que são posicionados no local comprometido pela doença. O intuito dessa associação é promover uma cicatrização adequada, sem posterior estenose, o que permitiria novamente a passagem do ar e a retirada da traqueostomia. "Os moldes, confeccionados de forma artesanal no decorrer do ato cirúrgico, associados ao tratamento de dilatação ampliam a possibilidade de resultados satisfatórios em relação ao diâmetro final da via aérea", ressalta Pinhata. "Além disso, os recursos de vídeo servem não só para a visualização durante o ato cirúrgico, como também, para a documentação e o ensino."

Qualidade de vida
Segundo o médico, o desenvolvimento deste novo método para as crianças surgiu da necessidade de proporcionar aos pacientes melhor qualidade de vida, a partir de um tratamento que permitisse a retirada da cânula de traqueostomia, o que possibilitaria uma vida de relações normais. "A criança traqueostomizada geralmente tem problemas com a fala, pois se o ar não passar pela laringe, não há ativação de pregas vocais e como consequência não há uma das principais etapas da fala. Além disso há os graves problemas de socialização que uma prótese exposta na região do pescoço causa", explica Pinhata.

Nesse sentido, o cuidado dispensado às crianças do HU foi somado à larga experiência em tratamento dos problemas de traqueia realizado na Disciplina de Cirurgia Torácica da Faculdade de Medicina (FM) da USP, sob a coordenação do professor Hélio Minamoto, médico de referência no tratamento de doenças de traqueia em adultos. "Esse fator associado à carência de profissionais que atuam nessa área, especificamente na faixa pediátrica e neonatal, são dados de enorme importância, uma vez que nos propomos a tratar dessas crianças com responsabilidade social", reitera Pinhata.

Readaptação
O médico conta que os aspectos comuns a todas essas crianças estão relacionados às dificuldades de comunicação, pois as traqueostomias impedem quem o ar passe pela laringe, órgão responsável pela voz. "Quando a condição social da família permite o acesso a serviços especializados como, por exemplo, tratamento fonoaudiológico, as crianças, apesar das sequelas, ainda têm uma possibilidade de readaptação."

Durante o tratamento, a criança continua traqueostomizada, porém o novo método permite uma cicatrização sem nova estenose e a retirada da traqueostomia ao término do tratamento. "A retirada da traqueostomia muitas vezes precisa ser acompanhada por um procedimento cirúrgico para o fechamento do orifício no pescoço, porque a criança permanece com a cânula por um período prolongado. Por isso, todo o trabalho desenvolvido visa que a criança volte a ter uma vida normal."

De acordo com o especialista, o trabalho contou com a participação de dois cirurgiões para buscaram a "resolução de um problema ainda mal estudado que a grande maioria ou quase a totalidade, dos médicos não tratam."

Fonte: Agência USP de Notícias
 
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