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Estudo identifica distribuição de variedades do hantavírus no Brasil
Trabalho que teve participação de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP foi publicado na revista Emerging Infectious Diseases
Pesquisa sobre a distribuição geográfica dos tipos de hantavírus no território brasileiro aponta a maior presença da variedade Araraquara em áreas com maior mortalidade humana, especialmente no interior de São Paulo e nas regiões de Cerrado do Centro-Oeste. O mapeamento pode ajudar a identificar os vírus mais agressivos e a definir estratégias de controle da doença, transmitida por roedores e letal em seres humanos. O trabalho, que teve participação de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, foi publicado na revista Emerging Infectious Diseases.
O objetivo do estudo é levantar a biogeografia do hantavírus no Brasil, identificando suas variedades e as áreas em que são localizadas. "A partir das amostras biológicas recebidas de pacientes humanos que apresentam hantaviroses e de roedores, principais reservatórios naturais do vírus, é feita a extração do RNA viral, que serve de base para a elaboração de um DNA complementar, que é sequenciado e analisado em computador", explica o professor Paolo Zanotto, do ICB da USP, um dos coordenadores do trabalho.
O principal efeito do hantavírus nos seres humanos é a síndrome cardiopulmonar letal, que não possui tratamento específico. No Brasil, o transmissor mais conhecido é o roedor da espécie Necromys lasirus. "De um modo geral, o contágio acontece por meio do contato com partículas dos excrementos de roedores infectados dispersas pelo ar, o que pode ocorrer, por exemplo, em propriedades rurais", aponta o professor.
A pesquisa indica que a variedade Araraquara do vírus é a que apresenta maior letalidade de pessoas infectadas, com registro de morte em 44,5% dos casos. Outro tipo de hantavírus comum no País, o Araucária, possui mortalidade de 32%. "Quando foi mapeada a distribuição das variedades pelo território brasileiro, percebeu-se que a presença do hantavírus Araraquara estava associada a áreas com maior taxa de mortalidade", destaca Zanotto. "Este é um possível indício de que se trata de uma variedade mais agressiva do vírus, hipótese que precisa ser confirmada por novos estudos".
Controle
O hantavírus Araraquara foi identificado principalmente no interior de São Paulo e nas áreas de cerrado do Planalto Central, na região Centro-Oeste. "Pesquisas mais detalhadas serão necessárias para atestar a agressividade desse tipo de vírus", ressalta o professor do ICB. "Também é preciso compreender o impacto da atividade humana nos ecossistemas por onde circula o hantavírus, e de que forma as mudanças interferiram nesse percurso e facilitaram o contágio".
De acordo com o professor, o mapeamento permite estabelecer uma espécie de "genealogia" entre as variedades do vírus. "Na medida em que a doença percorre os animais, como zoonose, é possível fazer um acompanhamento do hantavírus", destaca. Zanotto ressalta a importância de se acompanhar o tráfego do hantavírus entre espécies animais para auxiliar na elaboração de estratégias de controle da doença.
"Publicamos evidências recentemente de que os hantavírus evoluem muito rapidamente e precisamos investigar a possibilidade deles estarem colonizando novas espécies de roedores recentemente", alerta. "Nesse processo, os vírus sofrem alterações adaptativas que podem gerar formas mais eficientes de transmissão para seres humanos".
A América do Sul concentra dois terços das espécies de roedores em todo o mundo, e na Argentina já foram identificados casos de contágio entre humanos. "Na região de Ribeirão Preto (interior de São Paulo), foi identificada uma mudança de reservatório do vírus para roedores do gênero Akodon", aponta o professor.
A pesquisa sobre hantavírus foi realizada pela Rede de Diversidade Genética de Vírus (VGDN), vinculada ao Programa Genona Fapesp, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O trabalho publicado na revista Emerging Infectious Diseases, teve a participação de pesquisadores de diversas instituições, entre os quais Luiz Tadeu Figueiredo, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, e Luiz Eloy Pereira, do Instituto Adolfo Lutz.
Fonte: Agência USP de Notícias
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